Quando sai de São Paulo eu não tinha muito a perder então resolvi me arriscar no interior.Vim morar em uma republica por questões financeiras, não que eu seja pobre mais não quero ser rico nem tratado como tal.
Queria ser doutor, não playboy...Cansei de ser playboy...Confesso que tem suas vantagens... Sempre tive tudo o que eu quis...Tudo mesmo, de carro a mulher...T-U-D-O. TUDO!
Meu nome é Sócrates Amadeus, chega a ser palavrão eu sei, tenho 18 anos e estou estudando direito...Direito para ser advogado.Doutor Amadeus.Sonho da minha mãe, Dona Gisele, ela já construía esse futuro pra mim bem antes de eu nascer.
Já fiz dois semestres do curso, e eu gosto.Não consegui namorada, não porque eu não quis, mas porque na faculdade nenhuma menina tem escrúpulos.Todas sem exceção são vadias...Gordas, magras, altas, morenas, loiras, cabelo longo, cabelo médio, cabelo curto...Nenhuma salva.
Bom quase nenhuma...Existe ela...Maria Eduarda Alcantra...Prof ª Maria Eduarda...Loira de olhos negros...Curvas sinuosas que podem levar qualquer homem a sofrer um acidente...Eu não me importo...Quem se importaria?
Já fui muito mal na matéria dela pra ela me notar.Não funcionou.Então decidi ser nerd.Também não funcionou.
Então tentei ser o Sócrates e ela gostou.Ficamos amigos.Eu a levava todo dia até o estacionamento, fingindo que estava interessado em legislação, mas não consegui levar minha farsa a diante e me declarei.Eu a amava loucamente e não podia conter isso.
A principio ela se assustou, disse que era ilegal e que nossa diferença de idade era gritante demais para ser ignorada.
As semanas se passaram e eu continuei com o meu ritual quase que religioso de leva-la até o carro.Até que um dia eu a beijei.Intensamente.Sutilmente.E ai ela era minha.
Nos víamos as escondidas nos corredores mais desabitados da faculdade.Nos finais de semana eu não voltava pra casa pra poder ficar com ela.
A adrenalina que nos cercava era excitante.O perigo de alguém entrar na republica e pegá-la nua sobre os meus lençóis fazia tudo ser ainda melhor.
Nas aulas eu era o aluno e ela a professora.No quarto os papéis se invertiam e eu passava a ser o objeto de estudo.Ela também passou a me amar.
Mas nem tudo é perfeito.
Em um final de semana eu estava esperando por ela, eram mais de 11 horas, ela estava absurdamente atrasada.Ela chegou quando já era quase noite, toda cheia de hematomas dizendo que o marido dela havia descoberto nosso romance e que havia espancado ela de maneira brutal.
Marido?Ela nunca me disse que tinha marido...Eu queria acordar...Não consegui...Era verdade.
Ela foi embora.Roxa e sem me dar explicações.
Nos dias que se passaram ela continuou me dando aulas, sem se explicar e quando outro aluno a indagou sobre os hematomas ela alegou que tinha caído da escada de sua casa.MENTIROSA!Berrei em minha mente.Era exatamente o que ela era.
Depois de algumas semanas eu estava disposto a coloca-la contra a parede e saber o motivo pelo qual ela tinha mentido para mim, por que ela me iludiu e por que agora ela era tão indiferente.
Fiz plantão em frente da sala dela durante todo dia porem ninguém entrou nem saiu.E assim os dias se passaram, eu assistia às aulas e ia para sala dela.Mas nem sinal de vida.Desisti e resolvi esperar por segunda-feira que era o dia que ela dava aula para minha sala.
Ficar naquele campus sem ela era angustiante.A atmosfera me sufocava.Era como estar sozinho em meio um mar de gente.Meus amigos falavam comigo porem eu não os ouvia.A memória de nossos corpos ainda era onipresente em minha mente.
Maria Eduarda...Era o único nome que eu conseguia entender em um universo de palavras não ditas.
Na segunda-feira eu acordei antes do sol, o dia prometia ser quente com chuva no final da tarde.Esperei até a hora de minha aula e desci as escadas em uma velocidade relâmpago.
Quando cheguei na sala de aula ela não estava lá, em seu lugar havia um homem careca de cerca de 1,40mm de altura.Me aproximei dele e perguntei:
-Senhor aonde esta a profª. Maria Eduarda?
-O marido dela ligou informando que ela esta com gripe “A” e esta de quarentena.
-O senhor pode me dar o endereço da casa da prof ªMaria Eduarda?-ele fez cara de confuso e eu complementei-Minha mãe já teve gripe suína e eu sei de varias maneiras de controlar os sintomas.Posso ajudar o marido da profª.
-Claro, se é assim-Ele pegou um pedaço de papel, anotou o endereço e me entregou.
Eu assisti à aula inteira de corpo presente, em respeito ao favor que aquele prof° desconhecido me prestara.
Saí correndo ao fim da aula não só a fim de me libertar da angustia que aquela sala me trazia, mas a fim de conseguir minhas respostas.Peguei alguns livros que pertenciam a ela e levei comigo para o caso que se o marido dela ainda estivesse em casa não desconfiasse de minhas intenções com a mulher dele.
A casa dela ficava a três quadras da faculdade.Era azul e tinha um portão baixo que estava aberto.Fui até a porta e bati duas vezes.Ninguém atendeu.Reparei no jardim enquanto esperava, estava com a grama alta e existiam vestígios em uma parte do quintal que alguma coisa fora enterrada ali há pouco tempo.
Bati mais duas vezes e em resposta um homem moreno, de olhos cor-de-vidro a abriu.Estava bem vestido, terno e gravata de grife.Ele perguntou:
-No que posso te ajudar?
-Meu nome é Ivolanda -foi o primeiro nome que me veio à cabeça-Sou aluno da profa.Maria Eduarda e eu vim devolver esses livros pra ela.
-Ela não esta.Meu nome é João Murilo, sou esposo dela.Ela foi ao hospital...Esta com caxumba...-Ele mentiu sobre a doença.Será que ele pensou que se eu soubesse da doença que ela realmente tinha não ia querer contato nem com ele?Afinal ele também devia estar contaminado.
-Obrigado...Desculpe o incomodo-Virei as costas e dei dois passos
-IVOLANDA!-João gritou as minhas costas e eu me virei rapidamente.
-Ela não demora a chegar.Não quer esperar?
-Sim, eu quero!-Minha resposta veio do piloto automático que me dominava quando o assunto era Maria Eduarda.
-Que bom!Só me faça um favor antes de entrar...Pegue aquele machado que esta perto da cadeira.Eu pegaria, mas não quero sujar meu terno novo.
Eu obedeci sem pestanejar.Peguei o machado e levei pra dentro da grande sala iluminada deixando o objeto sobre a mesinha de centro da sala.
João se sentou de um lado do sofá e eu na outra extremidade.Ficamos em silêncio por um bom tempo enquanto eu observava atentamente o papel de parede, as fotos de um casal feliz na praia e finalmente a escada pela qual ela mentiu que caíra.
-Gosta da escada, Ivolanda?-João me disse numa voz enigmática.
-A madeira é muito bonita.-Menti
-A própria Maria que escolheu...A madeira é muito escorregadia, ela vive caindo nela.Suponho que você tenha visto os hematomas que ela adquiriu no ultimo tombo.
-Sim, eu vi.-Então era verdade ela havia sofrido um acidente na escada.Ela não mentiu para sala,ela mentiu para mim.Vendo todas as evidencias ela só podia ter mentido para mim.
Eu e João ficamos conversando durante algum tempo e lá fora começou a chover.Era incrível como ele era inteligente, desenvolto e eu me senti culpado por ter traído aquele homem que agora me era tão gentil.
-Está com sede, Ivolanda?
-Um pouco.
-Toma chá?
-Sim.
Ele se levantou do sofá de um salto e rumou para a cozinha.Foi quando reparei na trilha de cabelos loiros no chão.Eram milhares de fios que formavam um caminho em zigue-zague até a cozinha.E tinha...não...não podia ser...
-Chá gelado combina com chuva gelada!-Ele me entregou um copo grande de chá com uma fina camada branca no fundo-Desculpe acho que exagerei no açúcar.
-Não, tudo bem...eu gosto!
A bebida ainda estava amarga então comecei a dissolver o açúcar do fundo do copo.Quando terminamos João recomeçou a falar:
-Ivolanda é um nome diferente.
-Pois é,minha mãe é fã do Silvio Santos.
-Maria Eduarda nunca falou de você.E olha que se ela falasse eu ia lembrar.Nomes diferentes penetram na minha memória.Tem uma Mary Jane.
-Sim...Primeiro semestre-A memória de uma menina morena e magra veio em minha mente lentamente, comecei a me sentir sonolento, devia ser pela chuva.
-E também tem uma Julislaine.
-Essa é da minha sala.Uma gorda de cabelo vermelho, falsa pra caramba!-As palavras saíram em uma velocidade que perderia para um caracol.Meu Deus!Porque estava me sentindo com tanto sono?
-Da sua sala?Então você conhece um tal de Sócrates Amadeus!
Era eu.Ele estava falando de mim...Senti o suor escorrer por minha nuca e meu coração disparou.
-Não...Tem muitos meninos na sala e a maioria tem apelido.-Eu era um mentiroso.Decidi ir embora antes que meu coração me entregasse-Acho que já vou andando.Mande melhoras para prof. ª Maria.
-Espere!-Não era um pedido era uma ordem.-Não conhece mesmo o Sócrates Amadeus.Moreno, alto, olhos azuis, 18 anos, filho de família rica...
-Têm muitos desses naquela faculdade-Eu precisava ir, estava morrendo de sono precisava dormir urgentemente.-Realmente.João, preciso ir.
-E Gisele Amadeus?-Minha mãe, como ele sabia?
-O que tem ela?- quis ser indiferente, não consegui.
-Era uma mulher maravilhosa...Tinha muitos sonhos para o seu filho.
-O que?-Minha mãe estava viva, eu havia falado com ela antes de ir dormir.Por que ele falava dela no passado.
-Ela morreu, Ivolanda.-Ele estava indiferente, havia um novo brilho em seus olhos.
-Morreu?-Era mentira...O sono estava quase me dominando e mesmo assim senti meus olhos se enchendo de água.
-Foi assassinada.Maridos não deviam deixar esposas sozinhas em casa, mesmo em uma cidade tão grande quanto São Paulo.
Meu pai realmente tinha ido viajar a trabalho.Como ele sabia?Aquilo não fazia sentido.
-Ivolanda...Você poderia ir buscar mais um chá antes de ir embora?Não quero sujar meu termo.
Eu fui...Seguindo o rastro de cabelos loiros...As palavras giravam em minha mente como um tufão em fúria...ASSASSINADA!Precisava ligar pra minha mãe.
Eu me segurei na parede da cozinha, era tudo muito limpo, fui até a geladeira branca e abri não havia nada alem de muito sangue.
-Esta no freezer...
Abri a porta do freezer com dificuldade,mas antes não tivesse aberto.
Lá dentro estava o corpo de Maria Eduarda, todo esquartejado e cheio de sangue.Os olhos negros ainda abertos em uma face de terror...A cabeça dela fora raspada cruelmente...E havia mais hematomas pelo resto dos pedaços indistintos de seu corpo.
-Ela não fica tão atraente agora não é?
Não consegui me mover.Estava estarrecido em choque.Ele a matou...Maria Eduarda estava morta e seu tumulo era um freezer.
-Sócrates, você realmente é forte.Com a dos e de sonífero existente naquele chá muitos dormiriam instantaneamente.Mas deixe me explicar meus atos antes de você conseguir voltar a falar.
“Eu amava Maria Eduarda mais do que qualquer coisa no mundo e de uns meses pra cá ela começou a ficar fria... distante... então em um sábado ela chegou pra mim e disse que estava grávida... ela estava realmente feliz... o único problema é que EU sou estéreo... e então eu perguntei de quem era o filho... e sabe o que ela me respondeu inseminação artificial...-ele soltou uma risada sem animação- Ai eu dei um tapa nela... e outro... e outro... e um chute” -João Murilo se divertia enquanto me contava e eu continuei sem me mover -“SOCRATES AMADEUS!!! Ela gritou seu nome... e me deu sua ficha completa... depois eu a joguei escada abaixo e ela correu pra você... foi terminar o relacionamento... FOI ISSO NÃO FOI?”
-Foi...-minha voz saiu falha.Ela não tinha mentido sobre a surra nem sobre a escada.Ela estava esperando um filho meu.
- “Ela voltou pra casa aquele dia e arrumou as malas. Disse que ia morar com a mãe, mas antes ia terminar o cronograma de aulas. Ela voltou pra sua faculdade enquanto eu a observava de longe. Foi ai que eu conheci você, não era difícil você olhava pra ela com aquele olhar de quem foi chutado. Os dias foram passando e ela quis apressar as coisas aí eu a tranquei no quarto e fiquei esperando ela parar de gritar. Ela não parava nunca! E sabe o que ela gritava? Ela gritava: SÓCRATES! ME PERDOA! EU TE AMO! Foi uma pena você perder isso...”
Agora eu chorava olhando pro freezer.Imaginando tudo o que ela passara...E eu egoísta me afundando em meus pensamentos...
- “Eu realmente me irritei, peguei meu barbeador elétrico e raspei a cabeça dela. Ela continuou gritando. Ai eu resolvi ir pra São Paulo, visitar a sua mãe. Dona Gisele era encantadora. Conversamos muito sobre você e quando o assunto acabou eu atirei na cabeça dela. Não tinha nada contra sua mãe só a matei pelo bem do meu plano. A propósito ela esta enterrada no quintal do lado do meu cachorro... é um lugar muito honroso”.
Ele matou minha mãe...As únicas duas mulheres que eu realmente amei...Mortas por um homem louco.Continuei sem me mover...Eu queria acordar,não era um sonho.
Eu ainda tinha muito sono, mas queria ouvir tudo o que ele tinha a dizer.
- “Depois de enterrar a sua mãe eu fui ver a Maria...finalmente ela tinha parado de gritar. Mas sabe o que ela fez quando eu abri a porta do quarto?Me atacou! Ai eu atirei bem na barriga dela, ela disse seu nome... eu atirei de novo só que direto no coração. Aí voou sangue por todo lado. Ela morreu! Mas a única vaga para cadáveres dessa casa já estava ocupada. Eu lembrei do machado e fatiei ela... e ai só faltava você...”.
Então era isso ele tinha matado minha mãe para que não sofresse por mim, tinha matado Maria Eduarda para que ela não sofresse por mim e não tivesse um filho fruto de uma traição e ele me mataria...Ele tinha armado o plano perfeito e todos nós éramos vitimas...Se ele me matasse naquela hora seria um favor...Eu não queria viver sem minha mãe...Sem Maria Eduarda...
- “E você como todo jovem rejeitado agiu como o previsto. Veio tirar satisfações com a mocinha. Só que agora ela esta um pouco fria não?”-Mais uma risada sem sentimento os olhos dele brilhavam ainda mais-Agora o meu plano: Você matou as duas e me matou. Você me queimou vivo para poder ficar com Maria Eduarda mas vocês não tinham dinheiro para fugir.Você queria dinheiro da sua mãe, ela não deu e você BUM! Maria Eduarda queria ficar com mais da metade do dinheiro você foi lá e BUM! Como você não sabia o que fazer com o cadáver você esquartejou com aquele machado que esta na sala. E não diga que não, suas impressões digitais estão nele. E o meu cadáver esta um pouco mais pra baixo do da sua mãe... roubei de um cemitério próximo daqui...”-Ele me deu as costas e continuou:
-Bom,Sócrates Ivolanda Amadeus foi um prazer te conhecer. A policia chega daqui a pouco então boa sorte na prisão e Maria Eduarda te escreveu uma carta...Ultimo pedido sabe como é...
Senti uma dor terrível,ele me deu um soco e em seguida fui envolvido pela escuridão.
Acordei no camburão da policia militar e vi a casa de Maria Eduarda sumindo pela rua.
Os policiais me indagaram sobre os crimes, mas optei por responder só na frente de um advogado, eu conhecia meus direitos.
Tirei um papel do bolso, era a carta...O ultimo pedido que ela fizera para mim...
Sócrates,
Você deve estar me achando uma imunda por não ter te falado a verdade, eu realmente sou, mas tenho uma explicação para tudo o que nos aconteceu.
Meu sonho sempre foi engravidar, mas pelo fato de meu marido ser estéreo eu nunca pude realiza-lo.Por ele saber disso nossa relação ficou frustrante, ele sempre me batia e a maioria das vezes eu preferia fingir que ele não existia...E depois eu acabei me envolvendo com você, que conseguiu me fazer feliz de um jeito que ninguém nunca fez.
Me perdoe por eu nunca ter te falado sobre ele.Na verdade, Sócrates é que eu só não contei porque eu tinha medo de te perder, ainda mais agora que eu vou ter um filho seu.
Você realizou meu sonho e isso só fez com que meu amor por você aumente cada dia mais.
Estou indo para o interior de Minas Gerais ficar com a minha mãe até o bebê o nascer.O endereço está marcado ai em baixo, espere dois meses e venha, caso o João Murilo esteja atrás de você é melhor esperar, mas venha.
Vou abrir meu próprio escritório de advocacia em Minas, minha mãe já acertou o lugar e ai nós dois poderemos trabalhar juntos, mas você vai começar como estagiário e vai arrumar uma boa faculdade lá, Ok?
Se mantenha seguro, por mim e pela sua mãe(rs), tenho medo do que possa vir a acontecer com você meu amor.Se mantenha vivo e seguro.Faça direito.
Te amo Sócrates, me perdoe por ter sido tão fria...Juro que foi para o seu bem... Tudo isso vai passar... Maria Eduarda Alcantra AMADEUS
Terminei de ler aos prantos ainda existiam algumas marcas de sangue no papel branco.
Aquela carta significava tanto para mim.Todas os sonhos dela...Todos os planos...Tudo que um assassino prendeu dentro de um freezer...Tudo literalmente aos pedaços.
Não dormi durante toda noite pensando em o que fazer quando meu advogado chegasse.Não consegui comer nem beber nada e os policiais me tratavam muito bem, eu era o que eles queriam um playboy psicopata.
Varias redes de televisão aguardavam meu depoimento do lado de fora da prisão.Eu não me importava me sentia seguro dentro da minha cela.Minha adorável gaiola que me protegia da mídia, me confortava e influenciava em minha decisão.
Meu advogado chegou no dia seguinte acompanhado de meu pai, o excelentíssimo senhor Samuel Amadeus.Meu pai estava abatido, ele me abraçou como nunca tivera feito na vida e disse:
-Sei que você é inocente.Não tem suas digitais na arma que encontraram.Meu filho o que aconteceu?
Pedi um tempo a sós com meu pai e eles me deram.Ele acreditava na minha inocência e para mim isso bastava.
Ele não aprovou minha decisão, mas me deu sua benção e eu parti para coletiva de imprensa.
Em uma sala apertada, varias pessoas equipadas com microfones e equipamentos de gravação me olhavam atentamente, algemado perante as câmeras de cerca de 60 canais.
O policial anunciou a coletiva e contou meus crimes não cometidos.Eu ouvi tudo de cabeça baixa revivendo cada momento que ele falava.A maioria deles eu não tinha presenciado.
A primeira pergunta veio de uma repórter baixinha:
-Senhor Sócrates o senhor poderia nos dar a sua versão dos fatos?E como a prof. ª Maria Eduarda estava envolvida neles?
-Maria Eduarda?-O nome doeu ao sair da minha boca-Ela...É inocente.Não me ajudou em nada...Eu a obriguei a tudo.
-Como assim não te ajudou?-O repórter do jornal local perguntou.
Era minha hora...
-Eu sou culpado!-Meu pai chorou alto, pedi perdão mentalmente, mas ele sabia a verdade-Eu matei João Murilo, matei minha mãe, matei e esquartejei Maria Eduarda Alcantra...-Eu comecei a chorar também.
Fui encoberto por uma avalanche de perguntas e flash’s me segavam a todo o momento até o fim da coletiva.Descobri detalhes de meus falsos crimes por meio das perguntas.Cada pergunta vinha acompanhada de um detalhe mais surpreendente.João Murilo era um exímio assassino ele havia pensado nos mínimos detalhes desde de arrancar a arcada dentaria do cadáver que ele havia roubado antes de queima-lo até em juntar todos os pedaços esquartejados em saquinhos plásticos.
No fim da coletiva meu advogado veio conversar comigo:
-Sócrates você sabe que você é inocente...Um crime desse porte pode levar a 30 anos de prisão.
Eu não respondi, continuei rumo a minha cela.
Eu sei que é tolice confessar por um crime não cometido, mas foi a melhor forma que encontrei de fazer que tudo não fosse em vão.De certa forma minha cela ainda me conforta. Se eu estivesse livre eu viveria um tormento de um mundo sem Maria Eduarda e eu prefiro não viver em mundo sem ela.Minha adorável gaiola me ajuda a cumprir minha promessa,
Sem ela eu não estaria vivo e muito menos seguro.“Se mantenha seguro, por mim e pela sua mãe(rs), tenho medo do que possa vir a acontecer com você meu amor. Se mantenha vivo e seguro. Faça direito.”Foi o ultimo pedido dela direcionado a mim e eu vou cumpri-lo até o fim de minha prisão...
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Carne viva!
Eu já pensei em mil formas de te buscar...de te ter de alguma forma...de sentir teu gosto mais uma vez...
Sorte tua que meus pensamentos não se concretizaram...Sorte tua que eu decidi apagar a luz do meu lado do palco e ficar te observando da cochia...você faz o papel principal enquanto eu espero pela minha deixa pra poder entrar novamente na tua vida!
Está tudo tão confuso na minha mente.
Se você não me quer mais por que não fala diretamente?São suas indiretas que me matam e o fato delas ainda encherem a minha imaginação de alguma forma,de uma forma pura e sem nenhum vestigio de infelicidade.
A realidade é que eu prefiro me manter em silêncio pra poder aproveitar,nem que seja só um fiapo,da tua felicidade.
Te ver feliz é me ver feliz?Em parte é sim,até o momento onde eu explodo...me rebelo...e choro!
Patéticamente...choro por saber que você é feliz mesmo longe de mim...choro pela vontade de te ter denovo...choro pra me manter viva dentro de mim mesma!
Choro até meus olhos ficarem em carne viva...E é assim que eu vou ficar,completamente retalhada por dentro e sorrindo abertamente por fora.
Vou ficar esperando até o fim dos tempos pra conseguir te provar que eu sempre fui não o que você queria mais sim o que você precisava...
Sorte tua que meus pensamentos não se concretizaram...Sorte tua que eu decidi apagar a luz do meu lado do palco e ficar te observando da cochia...você faz o papel principal enquanto eu espero pela minha deixa pra poder entrar novamente na tua vida!
Está tudo tão confuso na minha mente.
Se você não me quer mais por que não fala diretamente?São suas indiretas que me matam e o fato delas ainda encherem a minha imaginação de alguma forma,de uma forma pura e sem nenhum vestigio de infelicidade.
A realidade é que eu prefiro me manter em silêncio pra poder aproveitar,nem que seja só um fiapo,da tua felicidade.
Te ver feliz é me ver feliz?Em parte é sim,até o momento onde eu explodo...me rebelo...e choro!
Patéticamente...choro por saber que você é feliz mesmo longe de mim...choro pela vontade de te ter denovo...choro pra me manter viva dentro de mim mesma!
Choro até meus olhos ficarem em carne viva...E é assim que eu vou ficar,completamente retalhada por dentro e sorrindo abertamente por fora.
Vou ficar esperando até o fim dos tempos pra conseguir te provar que eu sempre fui não o que você queria mais sim o que você precisava...
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